Arquivo para agosto \12\UTC 2010

12
ago
10

Cinema e Música

Dois temperos essenciais no caldeirão da pessoa que vos fala…


Estou cadastrada no newsletter da Fundação Cultural de Curitiba, sendo assim, sempre estou por dentro quando surge algo na programação cultural da cidade. Quem fala que Curitiba é pobre no quesito cultura, engana-se. Aqui há muita coisa a ser explorada, a ser visitada, vista, escutada…

Ontem, pude ter o privilégio de assistir a um destes eventos. Tratava-se de uma sessão com curtas de música do acervo CTAv (Centro Técnico Audiovisual  do Ministério da Cultura), na Cinemateca, para lançar a edição n 51 da revista Filme Cultura, revista esta publicada entre 1966 e 1988, que voltou a circular este ano.

Aqui falarei um pouco sobre os curtas da programação. Para quem não soube a tempo ou não pode comparecer ao evento, eu descolei os curtas na internet, com exceção do primeiro: o tempo e o som. Assistam, isto é música popular brasileira, da mais alta qualidade!

O tempo e o som

Curta dirigido por Bruno Barreto, que também dirigiu os longas Dona Flor e Seus Dois Maridos (1978); Última Parada 174 (2008); Bossa Nova (2000) e O Que é Isso, Companheiro? (1997) – indicado ao Oscar como melhor filme estrangeiro; e Walter Lima Jr., que também dirigiu os filmes Os Desafinados (2008); A Ostra e o Vento (1997) e Menino de Engenho (1965) entre outros e  foi ganhador do Urso de Prata, no festival de Berlim por Brasil Ano 2000 (1969).

O curta tem como tema a origem da Bossa Nova. Traz imagens do Rio de Janeiro na década de 60 e também, imagens de Tom Jobim, João Gilberto, Johnny Alf, Baden Powell e outras figuras que tiveram participação na construção do gênero.

Partido alto

Dirigido por Leon Hirszman, um dos expoentes do Cinema Novo, ganhador do Urso de Ouro com Eles Não Usam Black Tie (1981).

Este curta tem participação de Paulinho da Viola, Candeia, Manacéia, entre outros. Mostra a execução de várias canções e também, as variações deste estilo. Filmado nos morros cariocas, o documentário traduz o estilo de vida dos sambistas, e também, a constante improvisação dos “partideiros”. Parafraseando Candeia, citação que também é usada no curta: “Um bom partideiro só chora versando”. (Não, este verso não é do D2, hehe).

Este eu achei na net, para assistir o curta:

http://video.google.com/videoplay?docid=-3298147007389629570#

Chorinhos e chorões e Heitor dos Prazeres

Ambos foram dirigidos por Antonio Carlos da Fontoura. O primeiro de 1974, narra a origem do gênero (o choro), e mostra imagens dos grupos Época de Ouro, de Pixinguinha e os 8 Batutas, Jacob do Bandolim, entre outros. O segundo curta, é de 1966 e é narrado pelo próprio pintor e sambista Heitor dos Prazeres, com imagens de algumas de suas obras e de seu ateliê.

Para assistir Chorinhos e Chorões:

http://portacurtas.uol.com.br/pop_160.asp?cod=4749&Exib=1

Para assistir Heitor dos Prazeres:

http://portacurtas.uol.com.br/pop_160.asp?Cod=5056&Exib=1

Álbum de música

Dirigido por Sergio Sanz, narra a origem da MPB. Começa com o surgimento do primeiro samba (Pelo telefone), segue citando o choro, a bossa nova e a tropicália. Rico em imagens, também traz depoimentos de Nara Leão – que defende a idéia de que a Bossa Nova foi o primeiro gênero brasileiro que surgiu de um grupo elitizado, com pessoas de cultura, diferente de outros gêneros, que nasceram nos morros, como forma de manifestação popular – e também de Nelson Motta. O curta também traz imagens de Cartola, Nelson do Cavaquinho, Almirante, Pixinguinha, Maria Bethânia, Carmen Miranda, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros gigantes de nossa música popular. Foi o curta de que mais gostei! Vale a pena conferir!

Para assistir Álbum de Música:

http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?cod=4745&Exib=1

Carmen Miranda

Dirigido por Jorge Ileli, foi o último curta exibido na mostra. Narra a história da “pequena notável”. Lindas e clássicas imagens, com cenas de filmes e musicais protagonizados por Carmen Miranda, depoimento de César Ladeira (radialista que deu o apelido de pequena notável à Carmen), e também, cenas de seu adeus em 1955.  Também recomendo!

Para assistir Carmen Miranda:

http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?Cod=4747&Exib=1

E claro, para finalizar, não podia deixar de agradecer à Tiane pela companhia! Valeu Tiii!! Espero que tenha gostado!!

E a todos os visitantes: deixem seus comentários! É importante para incentivar novos posts e para que este espaço não fique abandonado!! Afinal, de que adianta escrever um blog, se não há pessoas para lê-lo?? Hehe…

E mais um obrigada para todos que sempre passam por aqui!

Deixarei uns links para quem quiser mais informações:

Fundação Cultural de Curitiba – http://www.fccdigital.com.br – Site da FCC. Notícias, agenda e também, faça como eu, cadastre-se no newsletter e fique por dentro da programação cultural de Curitiba.

Revista Filme Cultura – http://www.filmecultura.org.br/ – Site da revista que é referência sobre Cinema.

Um que tenha – http://umquetenha.org/uqt/ – Blog para baixar música (aqui você encontra muita MPB, vale a pena escutar TUDO que estiver postado).

Porta Curtas Petrobras – http://portacurtas.org.br/index.asp – Para assistir mais curtas, navegue no site… Muita coisa legal de se ver!

Centro Técnico Audiovisual – http://www.ctav.gov.br/

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02
ago
10

Música de Brinquedo

Se tem uma banda que me deixa na expectativa a cada CD lançado, esta banda é o Pato Fu… Como todo relacionamento de muitos anos, tivemos muitos altos e baixos, mas eles sempre acabam me conquistando de novo…

Eles são minha banda preferida, desde que escutei o Rotomusic de Liquidificapum! Fiquei “embasbacada” com o CD… Aquela loucura que eles transformavam em música, só eles conseguiam fazer! Este Cd foi lançado em 1993, por um selo independente… Não tinha pra vender em loja nenhuma… Demorou pra chegar por aqui… Minha sorte que uma locadora perto da minha casa, que locava CD’s, colocou a pérola pra locar… Minhas amigas viram, gravaram e gostaram… E dá-lhe cópia em fita cassete!  E diga-se de passagem, eu tinha muuitas fitas K7 em casa… hehe… Acho que eu tinha uns 12 anos na época…

Logo depois, entrou pra trilha sonora da Malhação, Sobre o Tempo…

Tempo tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei, pra você correr macio…

Descobri que eram eles de novo! Naquele ano tinha ganhado o meu primeiro microsystem que tocava CD! Minha madrinha perguntou o que eu queria de presente de natal, e é claro! Queria o CD do Pato Fu que tem a música nova! Hehe.. eu nem sabia o nome… A Milena, filha dela, rodou o Centro pra achar… o segundo álbum deles Gol de Quem?, foi lançado em 1994… Depois disso veio o Tem Mas Acabou (1996), a brincadeira do título, era justamente sobre a falta dos discos nas lojas… Com direito a clipe rolando na MTV diretão e tudo! Eu ficava toda orgulhosa de ver a minha banda preferida ficando conhecidinha das pessoas, o clipe de “Água” era genial, uma animação da banda…

O próximo disco foi o Televisão de Cachorro (1998), aí eu já tinha olha só, 15 anos! E minha mãe já deixava eu ir a shows! E lá fomos eu, a Ana e a Keila, pro meu primeiro show do Pato Fu!  Chegamos super cedo porque eu queria ficar bem na frente… Quando chegamos no antiga Fórum, hoje Curitiba Master Hall, não tinha uma alma viva por lá!  É claro que ficamos na “fileira do cuspe” e acabei ganhando no final do show uma baqueta do Xande! Este Cd tornou o Pato Fu super conhecido, a música Antes Que Seja Tarde tocou muito nas rádios, e tinha um clipe lindo que também, tocou muito na MTV… Outras músicas emplacaram: Canção pra Você Viver Mais (feita para o pai da Fernanda, que tinha recentemente falecido), uma versão de Eu Sei da Legião Urbana… Eles exploraram mais sua veia pop…

E depois veio a minha primeira decepção: Isopor (1999). A impressão que tive é que eles se encantaram com o sucesso do disco antecessor, e resolveram investir no pop… A música Perdendo Dentes entrou pra trilha da novela das oito, e a música Depois, tocou insistentemente nas rádios… Tem músicas de que gosto, mas com este disco eu não fiquei “subindo pelas paredes” como foi com os outros… Troquei e-mails com eles, e nesta turnê, ao lado de Keila e Ana, falamos com eles e ganhamos autógrafos (inclusive na minha baqueta da turnê anterior)…

Até que surgiu Ruído Rosa (2001) e nuossa! Tivemos um caso de amor novamente!! No Ruído Rosa eles retomaram a veia rock’n’roll, este disco lembrava muito o Rotomusic… E todo mundo dizia, que eles gravaram este para agradar os fãs antigos da banda que tinham se decepcionado com o Isopor… Sinal de que muitas pessoas partilhavam da minha opinião, de que o CD anterior não foi aquelas coisas… Mas que eles gravaram o disco pra agradar, duvido muito! Gosto dos patos por causa disso: eles gravam o que der na telha, sem se preocupar se vai agradar ou não! O que vale sempre é a criatividade! Ruído Rosa também foi parar em trilha de novela: uma regravação de Ando Meio Desligado, dos Mutantes.

Com o próximo CD, Ao Vivo MTV (2002), também fiquei um pouco decepcionada quando soube que eles gravariam um ao vivo. Nesta época virou senso comum: ou se gravava um MTV ao Vivo, ou um MTV Acústico… por causa disso houve um revival das bandas dos ano 80 – Capital Inicial, Ira!, Marina, RPM, ressurgiram das trevas para o sucesso novamente – E até mesmo as bandas dos anos 90 entraram no clima – Skank, Jota Quest, Raimundos – também gravaram os seus ao vivos. O cenário parou, só com regravações, sem nada inédito, e fiquei chateada do Pato Fu entrar na onda. Até escutar o CD…

FIQUEI DE QUEIXO CAÍDO!

Eles simplesmente fizeram um arranjo novo pra todas as músicas! Convidaram nada menos que os caras do Tangos & Tragédias pra gravar junto… Já na primeira faixa, a música Eu, transformada em bolero, já fiquei apaixonada novamente… Vinha a mente a imagem do John falando pra mim… Ta vendo Pri?? Satisfeita agora? Hehehe…

Lulu Camargo, que participou fazendo os teclados no CD ao vivo, foi convidado para entrar na banda. Surgiu Toda Cura Para Todo o Mal (2005)… Só gostei da faixa titulo. Os teclados nas músicas não caíram muito bem para mim, sei lá, não gostei deste e nem do próximo que viria, Daqui Pro Futuro (2007).

Depois deste, eles deram uma parada, foram fazer seus projetos solo… O John produziu álbuns de vários artistas, a Fernanda gravou dois ótimos CDs solos (que adorei, diga-se de passagem).

Até então, não tinha disco novo… Até agora!

Está  chegando nas lojas, Música de Brinquedo! – Quando vi a lista das músicas, fiquei decepcionada de novo! Disco de covers?? Apesar de gostar da escolha das músicas, pensei: Que é isso? Deve ser crise de criatividade mesmo! Mas não foi, nas palavras do John: “Outro fator estranho ao nosso método habitual de fazer discos foi o repertório. Estamos acostumados a ir juntando material inédito, novas composições, letras, melodias soltas ao longo de uma turnê, pra gerar um disco novo ao final. Isso nunca parou, e de fato temos um tanto de material que poderia ser justamente o ponto de partida para um novo álbum de inéditas (não, não estamos em crise criativa, antes que alguém pergunte…).”

Enfim, a decepção durou alguns segundos apenas… Até começar a escutar! Eles simplesmente gravaram todas as faixas com instrumentos de brinquedo! Como pode?

Então o que posso dizer é: escutem!

Eles regravaram Ska!! Minha música preferida dos Paralamas! Frevo Mulher (Zé Ramalho) e Eles Estão Surdos (Roberto Carlos) são músicas de que gosto bastante também! Mas a melhor música deste caldeirão de caixinhas de música, pianos, guitarras, trompetes, xilofones e flautas de plástico, é Live and Let Die (Paul McCartney), vale a pena conferir!

E para encerrar, mais uma vez uso as palavras do Jonh: “Tudo está gravado com suas imperfeições, afinação duvidosa e barulho de articulação de peças móveis. Se você prestar atenção – como um adulto – vai perceber. Ou apenas se divirta – como uma criança.”

 




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